Home Data de criação : 07/10/25 Última atualização : 11/10/17 13:01 / 15 Artigos publicados

Arranhos na amídala  (Poemas) escrito em sexta 14 maio 2010 10:22

Blog de hellenjornalista :Sinapsepoética, Arranhos na amídala

Não temo o que vejo

Temo o aparente

Que não se concebe inteiramente

não sente em exatidão

resta uma dúvida, uma vírgula

Algo que não sei e habita

abstrato sentimento que não se expressa

Fica preso nas profundezas da amídala

Temo as entrelinhas da reticencia

a iminencia que chantageia

na busca pelo alivio

Só um apelo divino traz a paz que necessito

Me faz acreditar que no meio da tormenta

há uma luz, uma frestra  incandescente

Onde guarda a transcrição do enigma

Hellen Mendes

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Pós modernidade ou mortificação?  (Crônicas) escrito em terça 17 março 2009 21:11

Blog de hellenjornalista :Sinapsepoética, Pós modernidade ou mortificação?

Os contemporâneos de plantão que me desculpem, mas vivemos  em uma realidade que esbanja um falso colorido.  O imperativo é  cor, luzes, câmera, e pronto, tudo se transforma em uma reprodução amplamente convidativa, sem direito ao original.

O "photoshop" não é só um programa de edição de fotografias desenvolvido pela Adobe. É acima de tudo, um conceito trazido para o novo milênio. O conceito de que não precisamos nos preocupar porque sempre haverá a possibilidade de mudarmos a "cara" das coisas, ainda que para isso, seja necessário falsear a realidade. Isso mascara bem a primeira impressão de tudo. É necessário ter "felling", sexto sentido, experiência, para conseguirmos depreender a verdadeira face e sentido do que estamos em contato, sejam pessoas, ou situações. Como se estivessemos imersos em um infinito mar de ilusão, onde não se é possível avistar o fim por aqueles que desejam atracar seus navios. Aqueles que se cansaram de viajar sem sentido, embalados apenas pela melodia do "tanto faz", relaxa, ou simplesmente, deixa a vida me levar...

Os sentimentos se misturam facilmente e é comum até serem reproduzidos por simples modismo. É comum ouvir eu te amo! Mas os acontecimentos sangrentos e cruéis veiculados pela mídia , comprovam que o mundo está sedento por amor. Apesar dos "emotions" "budy pokies" do Orkut, dos bate papos do msn, das redes virtuais de relacionamentos, "paira" no ar uma ausência de profundidade e impera uma reticência governada pela falta de comprometimento com o porvir.

Se você é uma pessoa mais espiritualizada, que deseja comprometer-se sem medo, simplesmente pelo fato de que a vida não espera e se você não acredita, ninguém acreditará por você, uma pessoa que paga pra ver, mesmo que o preço seja sofrimento; Prepare-se, dificilmente encontrará espaço e compreensão em um mundo em que a palavra chave é emoção.

Bem, quero deixar claro, que isso aqui não é um manifesto contra o humor, a emoção,  e qualquer forma que denote descontração, equilíbrio, alegria e bom astral.

Não que a emoção não seja algo natural ao ser humano.

Minha preocupação tem como cerne o desequilibrio e o desrespeito instalados que já se automatizaram. A sensação de que conversar com sobriedade é absurdo e demodê, a sensação de que sonhar é quase infantil e querer um relacionamento afetivo sério, baseado em confiança, respeito, sinceridade e crescimento em todas as áreas é quase inocencia juvenil.. E além disso, querer se aproximar de um indivíduo pelo que ele é e não pela sua posição social, intelectual, ou profissional, é quase inacreditável em um mundo tão neoliberalista. Onde o capital economico  se mescla facilmente a qualquer coisa que indique lucro.

Sinto saudades do tempo, não muito longe, há uns quarenta anos, em que se era possível ter inocencia, sem parecer ridículo. Tá certo que parte desse tempo, ainda nem era nascida, mas consegui sentir ao menos um pouco dessas sensações tão sublimes que permeavam a década de 80, quando nasci, na verdade, muito pouco. Pois no início da década de 90, quando completava dez anos, o Brasil  experimentava o processo de redemocratização do Estado brasileiro, com isso, houve uma reformulação da cultura por meio da inserção de novas tecnologias de comunicação  e o mundo expandia-se em um processo denominado  "aldeia-global", no entanto  , paradoxalmente, as pessoas se individualizaram mais.

Beatles, uma das bandas mais famosas do mundo, já não era tão curtida , foi soterrada pelo capitalismo. Hoje, ouvir Beatles é coisa de pessoa romântica, que parou no tempo e deseja reativar seu lado inocente e sonhador.

O tempo em que as mulheres não eram consideradas todas iguais, padronizadas; desta forma, o cara podia sonhar com a nudez, imaginar um primeiro encontro sem necessariamente ter que transar. E a menina podia contar para as amigas sobre seu primeiro beijo, como algo novo, sobrenatural. Isso eu vivi, ufa!

Enfim, tenho sentido muita saudade de viver de maneira menos acelerada e ter tempo pra pensar, sonhar, imaginar e até chorar.... ôpa, preciso ir, estou atrasada.... Strawberry fields forever, nothing is real...

                                                        (Hellen Mendes)

 

 

 

 

 

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Deveria eu?  (Poemas) escrito em quinta 26 fevereiro 2009 17:42

Blog de hellenjornalista :Sinapsepoética, Deveria eu?

"Deveria eu ser diferente e agir igual?

Deveria eu andar no centro do que é comum e deixar minhas minúcias a margem de mim mesma?

Deveria eu deixar a voz do medo dominar por medo de inovar? Deveria eu questionar minhas vontades a ponto de desistir delas? Deveria eu saber que será diferente e ousado e, por isso, um crescimento único a vista e duvidar do que é legítimo?

Deveria eu negar o aspecto interessante da diferença e que isso me fascina, simplesmente por medo de me machucar?

Deveria eu ser dia após dia o que não sou... para agradar pessoas que não conheço e frente a essa constante negligência de mim mesma ser infeliz por minha própria fraqueza? Deveria eu???"

                                                                          (Hellen Mendes)

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Cafajeste  (Poemas) escrito em quinta 12 fevereiro 2009 17:10

Blog de hellenjornalista :Sinapsepoética, Cafajeste

Mentiras

mentiras bem contadas

disfarçadamente... disfarçadas

bom proveito arquitetado

a cereja do bolo é o alvo fácil

uma máscara real

que não se tira

se vive

se glamoria

um hipócrita com aparência de lord

Olhar duro, imóvel, que anestesia.

palavras bem escolhidas na ponta da língua

Inteligência que fascina

e convida à confiança

Andar comedido... silencia segredos

sorriso breve, envolvente

Te convida ao que não sente

Sem  nenhum pudor

não de si, mas do Criador

Insiste  na morte do amor

em abafar sentimentos nobres

que enobreceriam dois seres.

Não, antes que saia do seu concerto teatral

É preciso retirar-se...

Dizer um adeus

seria demais...

poderia doer

não estou preparado...

                        (Hellen Mendes)

 

 

 

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Devaneios  (Poemas) escrito em quinta 15 janeiro 2009 15:43

Blog de hellenjornalista :Sinapsepoética, Devaneios

Me pego
Olhando pro nada
querendo tudo que não pode ser mensurado.
Tudo que preenche a ânsia de não saber
Tudo que revitaliza os sentidos
e faz sentir a plenitude de estar viva
Ainda que fosse apenas uma
a última sinapse do ser pensante
valeria a pena...
suspirar sonhos que se fazem ternos
Me certificar que não é mera fantasia
Que, de fato, ainda que não seja...
pela verdade do que se faz real
como que numa miragem expansiva
a força da fé materializa...

                                            (Hellen Mendes)




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